sexta-feira, 20 de outubro de 2017

Eddie Harris

 (Chicago, 20 de outubro de 1934)


Eddie Harris nasceu e cresceu em Chicago. Seu pai era cubano e sua mãe de Nova Orleans. Saxofonista eclético e criativo, cuja carreira foi marcada por uma vontade incomum de experimentação de novos sons. Chegou a ser mais popular com o público do que com os críticos. Os puristas não gostavam de sua postura. Porém, ele sabia como transitar nesse campo minado, tanto no bop quanto no cool. Harris passeou pelo jazz, pop, rock e funk, além de improvisar, utilizar novos instrumentos eletrônicos, cruzar com outros tradicionais, como faz no Brasil, Hermeto Paschoal. Os críticos o consideravam fora do jazz legítimo. Harris também tocava piano elétrico e órgão.

Do álbum 'The In Sound' (1965)

Eddie Harris - sax tenor
Ray Codrington - trompete
Cedar Walton - piano
Ron Carter - baixo
Billy Higgins - bateria

Eddie Harris - Born to be Blue

quinta-feira, 19 de outubro de 2017

Lou Rawls


Natural de Chicago, Lou Rawls começou a cantar com apenas sete anos num coro gospel. Mais tarde, na década de 50, mudou-se para Los Angeles, destacando-se não só na interpretação dos ‘standards’ do jazz como no soul, blues e gospel. A sua capacidade vocal única, que lhe permitia atingir uma amplitude de quatro oitavas, levou-o a conquistar três prêmios Grammy, em 13 nomeações, e, vários êxitos que o imortalizaram. A crítica sempre lhe prestou vassalagem e comparavam-no a outros grandes ‘crooners’ da música americana como Sam Cooke e Nat King Cole. Durante mais de 40 anos de carreira, durante os quais foi alvo de inúmeras homenagens - em Chicago existe inclusivamente uma rua com o seu nome -, Rawls vendeu qualquer coisa como 40 milhões de álbuns e participou em mais de 16 séries televisivas e 18 filmes. 

The North Sea Jazz Festival, Haia, Holanda, 1992

Lou Rawls - Bring It On Home To Me!

segunda-feira, 16 de outubro de 2017

Milton Nascimento


Milton Nascimento no II Festival da Canção em 1967. 
Foi nesta edição que a composição 'Travessia' conquistou o segundo lugar

Em 2017, Travessia, a canção que mudou os rumos da música popular brasileira completa 50 anos. Não existia na música brasileira nada parecido, no vasto cancioneiro brasileiro, não existia algo como 'Travessia'. Não era bossa-nova, não era samba-canção, era uma canção super original, sem precedentes, de um cara chamado Milton Nascimento, relembra o compositor e músico Lô Borges sobre a canção que mudou a carreira de Bituca, como é conhecido Milton, e o cenário da música brasileira. Era 1967, Maracanãzinho lotado no Rio de Janeiro, quando a música conquistou o segundo lugar no Festival Internacional da Canção, exibido pela TV Globo, com abertura do maestro Erlon Chaves, acompanhada por um coro de 25 mil espectadores. Depois disso, Milton passou de um simples compositor a uma das grandes vozes da música popular brasileira. A letra da música foi composta pelo jornalista mineiro Fernando Brant, com melodia e voz do Bituca. Além do marco na carreira de Milton Nascimento, 'Travessia' foi a primeira das mais de 150 canções que eles viriam fazer juntos. Cinco décadas depois, a canção ainda carrega a mesma vivacidade que só Milton Nascimento poderia criar. (Norma Odara)

Milton Nascimento & Wagner Tiso - Travessia (1995)

domingo, 8 de outubro de 2017

Pepper Adams

(Highland Park, Illinois, 8 de Outubro de 1930)


Pepper Adams foi um dos mais importantes saxofonistas barítono do hard bop. O seu estilo é caracterizado por um som pesado e intenso, em oposição ao de Gerry Mulligan, leve e suave, o que o posicionou no lado menos popular, e comercial, do jazz. Pepper viveu a sua juventude em Nova Iorque. Com 16 anos, mudou-se para Detroit, onde conheceu diversos músicos que, mais tarde, se revelariam essenciais para a sua carreira, como Donald Byrd. Regressou a Nova Iorque, para trabalhar com Benny Goodman e Charles Mingus, no final da década de 1950. Mais tarde fez parte da orquestra de Thad Jones/Mel Lewis. Partilhou, também, a liderança de um quinteto com o trompetista Donald Byrd.

Do álbum 'Hollywood Quintet Sessions' (1957)

Pepper Adams - sax barítono
Stu Williamson - trompete
Carl Perkins - piano
Doug Watkins - baixo
Mel Lewis - bateria

Pepper Adams - My One and Only Love

sábado, 7 de outubro de 2017

George Benson


A música é uma senhora curandeira, capaz de tratar das mais diversas aflições e solidões do mundo. Ela proporciona momentos de puro êxtase, faz florescer uma primavera de sensações, uma vontade de sair pelo mundo afora conhecendo pessoas ou de se isolar num quarto chorando a saudade. Música é coisa pra ser dividida, indicada e muitas, muitas vezes ouvida.  

George Benson - All of me


quinta-feira, 5 de outubro de 2017

Deborah Coleman


Uma guitarrista e vocalista poderosa, Deborah Coleman é uma grande força no mundo do blues. O álbum 'Soul Be It' é uma celebração ao blues e serve como uma introdução perfeita para a música e solos de guitarra de Coleman.

Do álbum 'Soul Be It' (2002)

Deborah Coleman - vocal, guitarra
Jason Paul - bateria

Deborah Coleman - My Heart Bleeds Blue

terça-feira, 3 de outubro de 2017

Adriana Calcanhotto

 (Porto Alegre, Rio Grande do Sul, 3 de outubro de 1965)


Adriana Calcanhoto surgiu como fenônemo no cenário da MPB, no final dos anos 80. Gaúcha, saiu de casa com 17 anos para tentar a sorte como cantora e foi descoberta cantando em uma churrascaria. De forma bem diferente da 'Singapura', música de Eduardo Dusek, que conta a história de uma cantora decadente que termina seus dias em uma churrascaria, para Adriana, a churrascaria foi o início do sucesso. Passando depois pelo circuito de bares de Porto Alegre. Fez nome no bar 'Porto de Elis', assim chamado em homenagem à sua conterrânea, que, por sinal, nunca foi a maior influência de Adriana. Seus ídolos sempre foram Maria Bethânia, a quem dedicaria o primeiro álbum e João Gilberto. Tornando-se maior que a própria cena local, Adriana foi para São Paulo, passando pelo 'Madame Satã' e 'Espaço Off', mas seria no Rio, cidade que homenageia em 'Cariocas', que decolaria. Com seu trabalho, Adriana consolidou-se como uma das maiores intérpretes da MPB e também como uma compositora cuidadosa, brincando com palavras como brinca com seu público. Homossexual assumida, Adriana Calcanhoto foi companheira da cineasta Suzana de Moraes, filha do poeta e compositor Vinícius de Moraes, com quem viveu em Portugal durante 26 anos até a morte da cineasta. 

Adriana Calcanhotto - Inverno 


Quem já cantou na noite sabe o que acontece quando se está num palco, chovem os pedidos de músicas que os clientes querem ouvir. E nem sempre esses pedidos batem com o gosto do cantor. Foi então que Adriana começou sua revolução, vestiu as músicas bregas que lhe solicitavam com uma roupagem peculiar, provando que é possível, através da interpretação, mudar todo o contexto em que uma música foi inserida por seu compositor. A melhor ilustração do que Adriana foi capaz como intérprete é a música 'Caminhoneiro', de Roberto Carlos e Erasmo Carlos.

No Teatro Rival, Rio de Janeiro, final dos anos 80 ou início dos anos 90.

Adriana Calcanhotto - Caminhoneiro

domingo, 1 de outubro de 2017

Donny Hathaway

(Chicago, 1 de outubro de 1945)


Donny Hathaway foi uma das mais brilhantes vozes da soul music no início dos anos 70. Hathaway conseguiu seu maior sucesso comercial como parceiro de Roberta Flack, mas, infelizmente, ele é igualmente lembrado pelas trágicas circunstâncias de sua morte, um aparente suicídio. Aos 34 anos e ainda sob o impacto do sucesso, sua prematura morte chocou a comunidade negra e a todo o mercado fonográfico, que, naqueles anos, celebrava a efervescência da soul music. Da noite para o dia, familiares, amigos e fãs questionavam-se sobre os motivos que o teriam levado a tal ato e estado de desespero. O quão atormentado seria o cantor e autor de melodias tão tristes e profundas, como outras tão eufóricas e dançantes? Na mesma progressão em que florescia o sucesso, era aplacado por um comportamento irascível, que estranhava até aos amigos mais próximos. Em casa, sintonizava a TV em canais que não transmitiam programa algum. No estúdio, explosões de irritabilidade eram constantes. O diagnóstico era claro: paranoia esquizofrênica. 

Em 1978, a febre disco tomava conta das pistas e das rádios, Stevie Wonder e Marvin Gaye, adequavam-se à nova sonoridade, enquanto Hathaway esforçava-se para transpor cinco anos de sofrimento psíquico e obscuridade. Voltou a trabalhar com Roberta Flack, iniciaram as gravações de um segundo trabalho em dupla. Seus vocais continuavam sólidos, mas seu estado físico e mental eram visivelmente frágeis. Enquanto punha voz numa das faixas, desesperou-se. Saiu correndo do estúdio e foi encontrado chorando no corredor. Dizia estar sendo perseguido e ameaçado de morte. Na manhã seguinte ao surto, aos 34 anos, sua vida ganhava o ponto final. Mais do que um dos maiores cantores da história da música popular moderna, Hathaway era compositor, arranjador e produtor musical. E é pela qualidade de seus múltiplos dotes que, quase 40 anos depois da sua morte, sua contribuição à música pop dos anos 60 e 70 até os dias de hoje é exaltada.

Do álbum 'Live' (1972)

Vocal, Piano, Orgão – Donny Hathaway
Guitarra - Phil Upchurch
Baixo – Willie Weeks
Bateria – Fred White
Congas – Earl DeRouen

Donny Hathaway - Little Ghetto Boy

sábado, 30 de setembro de 2017

Chet Baker

O álbum 'Chet Baker in Tokyo' foi gravado ao vivo em junho de 1987, cerca de 11 meses antes de sua morte. Os desempenhos são notáveis e tudo o que foi dito sobre o que Chet poderia fazer tocar baladas dolorosas e poéticas está neste álbum. Chet Baker toca sem esforço dentro e fora do tempo, com intensidade e originalidade cada vez maiores que retratam-no como único. Toca como se estivesse lendo partituras, coisa que nunca fez. Em 'My Funny Valentine', a melodia comercial de Chet, é a melhor faixa, a emoção está presente, é como se Chet, afastando os anos de destroços, dissesse: aqui está o músico que eu sou. O Concerto de Tóquio fascinou. Durante as três semanas, Chet visitou o Japão, e sem consumir drogas por respeito tanto às leis de narcóticos extremamente rigorosas do Japão quanto à certa dificuldade de obter heroína. A música era intensa. Chet foi fiel a si mesmo, um músico maravilhoso, lendário, que simplesmente conseguiu brilhar em seus últimos momentos.

Chet Baker - My Funny Valentine

Chet Baker - trompete
Harold Danko - piano
Hein van der Geyn - baixo
John Engels - bateria

quinta-feira, 28 de setembro de 2017

Tim Maia

(Rio de Janeiro, 28 de setembro de 1942)


Um dos nomes mais importantes da música brasileira de todos os tempos, Tim Maia, o soulman brasileiro, se definia como preto, gordo e cafajeste. E ainda hoje, o mais famoso ‘sindico’ do Brasil influencia artistas. Tim Maia foi precursor do soul e do funk em uma época em que a música negra ainda era associada somente ao samba. O primeiro contato de Tim com a música aconteceu em 1957, quando formou em uma igreja os ‘Sputniks’, depois ‘The Snakes’, que tinha em sua formação os futuros reis da Jovem Guarda, Erasmo e Roberto Carlos. Tim Maia e Erasmo eram amigos de infância e conheceram Roberto Carlos quando este veio para Tijuca. Em 1959, aos 17 anos, Tim Maia embarcou sozinho para os EUA  e viu o nascimento da cultura black. Formou a banda ‘The Ideals’ e gravou o compacto ‘Yes I Love’. Depois de quatro anos foi deportado por posse de maconha. Nos anos 1970 Tim entrou para a seita ‘Universo em Desencanto’ e gravou dois discos considerados clássicos da soul music mundial e cultuados até hoje, mas execrados por ele. Tim Maia pecava pela sinceridade. Crítico, sarcástico e bem-humorado ao longo dos anos acumulou brigas com a mídia, gravadoras e artistas famosos, por detestar a mediocridade e venerar a plateia que o acolhia para a qual chegou a fazer shows de graça, principalmente em São Paulo que ele tanto amava. 

Tim Maia - Telefone (Ensaio 1992)



A gravadora 'Luaka Bop', de propriedade de David Byrne ex-Talking Heads, lançou a coletânea ‘Nobody Can Live Forever – The Existential Soul Of Tim Maia’. O disco faz parte da série ‘World Psychedelic Classics’. A gravadora especializada em world music já havia lançado uma coletânea dos 'Mutantes'. e já ajudou a difundir outros nomes importantes da música brasileira nos EUA, como Tom Zé.

Tim Maia - Nobody Can Live Forever



Tim Maia acompanhado pela Banda Black Rio, grupo carioca formado em 1976 pelo saxofonista Oberdan Magalhães. O grupo foi desfeito em 1985, um ano apos a morte de Oberdan. Anos depois foi reeditada e hoje tem sido uma grande referência. É a unificação da música negra numa variedade de rimos desde jazz ao rap.

Do álbum 'Soul Tim: Duetos' (2000)

Tim Maia e Banda Black Rio - Reencontro