quarta-feira, 6 de dezembro de 2017

Emilio Santiago


(Rio de Janeiro, 6 de dezembro de 1946)


Freqüentando a faculdade de Direito na década de 1970, Emílio foi atraído pela música, especialmente pela bossa nova. Começou a cantar em festivais universitários e a participar de programas de calouros, chegando ao final de um deles. O sucesso veio em 1988, quando lançou a série de CDs 'Aquarela Brasileira', projeto que elevou as vendas do artista na mesma medida em que diluiu seu status no mercado. Emílio Santiago sempre foi um dos maiores cantores do país das cantoras, mas nem sempre foi reconhecido como tal por conta da irregularidade de sua discografia. Sorte é que, vez ou outra, lança disco à altura de sua voz aveludada, de afinação e de emissão impecáveis. Foi assim com 'Perdido de Amor', lindo tributo ao repertório de Dick Farney e com 'Bossa Nova', álbum em que se refugiou no gênero que batizou o disco. No álbum intitulado 'De um Jeito Diferente', Emílio abre um repertório chique com o balanço suave da bossa nova e o samba-jazz dos anos 60 que soa como novo. Depois de excelente fase inicial, em que gravou discos que quase nada venderam, Emílio Santiago cedeu às pressões do mercado, 'De um Jeito Diferente' é uma volta às suas origens. É um álbum sofisticado que realça e dignifica a voz macia talhada na noite e o canto límpido de Emílio Santiago.

Do álbum 'Emilio Santiago' (1998)
Emilio Santiago - Lembra De Mim


Do álbum 'De um Jeito Diferente' (2007)
Emilio Santiago - My Foolish Heart

sexta-feira, 1 de dezembro de 2017

Billy Paul

(Filadélfia, 1 de dezembro de 1934)



Billy Paul foi uma das maiores vozes da black music no século passado. Ao longo de sua carreira, o cantor conquistou o público com uma mistura de R&B e soul. Sua musicalidade característica, que viria a ser determinante para cunhar o philly soul (soul music feita na Philadelphia). Seu vocal era exercitado e seu estilo tomava forma enquanto escutava os discos que tinha em casa, jóias de 78 rotações, de jazz, soul e pop. Sua mãe tinha uma coleção de Nat King Cole e tratou de educar muito bem os seus ouvidos. Para melhorar seu conhecimento Billy foi estudar música. Finalizados os estudos, começou a fazer shows em clubes locais e adotou o nome de Billy Paul. Tornou-se o fenômeno da Philadelphia, fazendo um grande sucesso no underground do jazz. Mas, o big-bang de Paul ainda estava por acontecer. A década de 70 começou com o sucesso retumbante e mundial, que veio com a balada, 'Me and Mrs. Jones'. A música, narra a história de um adultério e a polêmica em torno do tema da balada fez com que algumas rádios se recusassem a tocar a música com tão imoral tema. Por outro lado, isso fez com que o disco vendesse quase cinco milhões de cópias, e com ela, Billy ganhou o 'Grammy' de melhor vocal masculino em interpretação de soul.

Billy Paul - Me & Mrs. Jones (live)

terça-feira, 28 de novembro de 2017

Gato Barbieri

(Rosário, Argentina, 28 de Novembro de 1932)


Gato Barbieri clicado por Jan Persson

Gato Barbieri, embora tenha nascido em uma família de músicos só foi tocar um instrumento aos doze anos de idade, o clarinete, inspirado pelos discos de Charlie Parker. Teve aulas particulares estudando também o sax alto, passando finalmente para o sax tenor. Começou tocando tango e outros rítmos latinos em bares de Buenos Aires. Em 1962 passou sete meses no Brasil tocando e absorvendo coisas novas antes de embarcar para a Itália, terra de sua mulher Michelle. Vivendo na Europa conheceu em Paris o trompetista e um dos responsáveis pelo movimento avant-guard, Don Cherry. Ao entrar para seu grupo, Gato Barbieri evolveu-se intensamente com o estilo prestando atenção no som de John Coltrane e Pharoah Sanders, somando à suas influências o vigor, ferocidade e a pungência latina. No final dos anos 60 começou a retornar a suas raízes latinas. Mas foi em 1972 que Gato Barbieri realmente experimentou a fama ao compor a trilha para o filme de Bernardo Bertolucci, 'Último Tango em Paris'. 

Do álbum 'The Shadow of the Cat' (2002)

Gato Barbieri - Blue Habanera

domingo, 26 de novembro de 2017

Creedence Clearwater Revival

Platoon, filme de 1986, é um dos retratos mais emocionantes dos horrores da Guerra do Vietnã. Dirigido por um ex-combatente, Oliver Stone, o filme mostra a trajetória do jovem Chris, que troca a matrícula na universidade para servir como recruta no Vietnã, experimentando toda violência e loucura de uma carnificina sem sentido. Na guerra o jovem trava contato com os sargentos Barnes e Elias. O primeiro, um assassino brutal e psicopata e o segundo, um pacifista inteligente e sensível. Apesar do maniqueísmo, o filme possui cenas antológicas, como a chegada ao Vietnã, a chacina de uma vila vietnamita e o primeiro contato do pelotão ("platoon") com o inimigo.

'Run Through the Jungle' escrita pelo vocalista, guitarrista e compositor da banda californiana 'Creedence Clearwater Revival', John Fogerty, não faz parte da trilha sonora do filme Platoon. O título e a letra da música, bem como o ano em que foi lançado (1970), levaram muitos a associá-la à Guerra do Vietnã. O fato de que as músicas anteriores de Creedence Clearwater Revival eram protestos contra a Guerra do Vietnã, reforçaram essa crença. No entanto, John Fogerty explicou que a música é sobre a proliferação de armas nos Estados Unidos.

Creedence Clearwater Revival -  Run Through The Jungle 

segunda-feira, 20 de novembro de 2017

Choro Negro

'Choro Negro', clássico do choro fruto da parceria entre Paulinho da Viola e Fernando Costa, baixista do Terra Trio.

Do álbum 'Pérolas Negras' (1996)

Leo Gandelman - sax soprano
Paulinho da Viola - cavaquinho 
Cesar Camargo Mariano - piano, teclados e arranjo
Romero Lubambo - violão 
Marçalzinho - percussão

Leo Gandelman & Paulinho da Viola - Choro Negro

sábado, 18 de novembro de 2017

R.I.P. Ben Riley

(Savannah, Geórgia, 17 de julho de 1933 - New York, 18 de novembro de 2017)


Ben Riley foi um baterista de jazz. Nascido no estado da Geórgia aos quatro anos mudou-se com sua família para a cidade de Nova York. No ensino médio ele tocou na banda da escola, e depois da formatura ele se juntou ao exército, onde ele era pára-quedista, e também tocou com a banda do exército. Ao sair do exército em 1954, mudou-se para Nova York e, em 1956, começou a tocar jazz profissionalmente. Ele tocava com músicos como Alice Coltrane, Stan Getz, Woody Herman, Eddie "Lockjaw" Davis, Ahmad Jamal , Kenny Barron. Mas o que fez seu nome, no entanto, foram os quatro anos passados ​​a tocar, fazer turnês e gravar com o pianista Thelonious Monk. 

Live BBC, 1965
Ben Riley - bateria
Thelonious Monk - piano
Charlie Rouse - sax
Larry Gales - baixo

Thelonious Monk Quartet - Hackensack 



Do álbum 'Live At Minton's' (1961)

Bateria - Ben Riley
Sax Tenor - Eddie "Lockjaw" Davis & Johnny Griffin
Baixo - Larry Gales
Piano - Junior Mance

Ben Riley & Eddie 'Lockjaw' Davis & Johnny Griffin - I'll Remember April

R.I.P. Malcolm Young

(Glasgow, 6 de janeiro de 1953 - Sydney, 18 de novembro de 2017) 

Malcolm Young, juntamente com seu irmão Angus, foi o fundador e criador da banda de rock australiana AC / DC. Com uma enorme dedicação e empenho, ele era a força motriz por trás da banda. Como guitarrista, compositor e visionário, ele era um perfeccionista e um homem único. Malcolm tinha 64 anos e apresentava um quadro de demência, o que o fez se afastar da banda em 2014. Segundo os médicos, tinha perdido toda a memória. Já não sabia quem era. A família pediu em vez de flores para enviar doações para o exército de salvação.


Don Cherry

(Oklahoma City, 18 de Novembro de 1936)


Don Cherry será lembrado como sendo uma das vozes definidoras do trompete no jazz, faz parte da grande linhagem de Oliver King, Louis Armstrong até Freddie Hubbard, Lee Morgan e os modernos como Wynton Marsalis, o traditional, e Leo Smith, o vanguardista. Ele foi o primeiro grande trompetista livre. O álbum 'Shape of Jazz to Come', do qual fez parte Don Cherry, gravado e lançado em 1959 pelo saxofonista Ornette Coleman, com um quarteto, sem piano, produziu os primeiros exemplos do estilo bebop tocado independente da harmonia tradicional. Foi um dos primeiros discos de vanguarda do jazz e nele já se mostravam os elementos essenciais do estilo que veio a se transformar no free jazz. Foi essa combinação do som bluesy de Coleman e do bop de Cherry que deu ao primeiro grande quarteto de Coleman seu som verdadeiramente distintivo. É tão notável que Wynton Marsalis disse que se uma pessoa tivesse que ouvir apenas um álbum de jazz, que deveria ser 'The Shape of Jazz to Come'. Então, em meados dos anos 60, Don Cherry ampliou as fronteiras do jazz livre em suas próprias gravações como líder. No final dos anos 60 e 70, ele começou experimentos com músicas indianas e africanas. Como sempre, sua música visava uma combinação de beleza e brincadeira. Nos anos 80, Cherry começou a experimentar instrumentação eletrônica, bem como continuar a ser um músico acústico virtuoso. Cherry era uma figura que ligava o bebop do final dos anos 50 à experimentação dos anos 60 e 70. Em suma, ele criou uma nova abordagem para o trompete e merece um lugar no panteão dos grandes trompetistas de jazz.

Em Varsóvia, Polônia, com o quarteto do saxofonista Janusz Muniak (1980)

Don Cherry & Janusz Muniak Quartet - Guinea/Mopti

Don Cherry - trompete
Janusz Muniak - sax soprano e tenor 
Pierre Pausgen - piano
Andrzej Cudzich - baixo
Jerzy Bezucha - bateria




Don Cherry & Herbie Hancock - Bemsha Swing
Live in New Orleans, 1986

quinta-feira, 16 de novembro de 2017

Diana Krall

(Nanaimo, Canadá, 16 de novembro de 1964)



A musa canadense Diana Krall foi descoberta aos 19 anos por Ray Brown, baixista norte-americano considerado uma lenda do bebop. Como raras cantoras desse período, Diana se dedicou ao jazz regravando clássicos de imortais como Duke Ellington e George Gershwin. O lendário piano de Oscar Peterson e o balanço do compositor brasileiro de bossa nova Sérgio Mendes são algumas das influências mais acentuadas no seu trabalho. A cantora  executa um jazz muito gostoso de ser ouvido, as músicas são baladas românticas e temas de bossa nova. Ao invés de produções apimentadas e roupas reveladoras, Diana, além de bonita, é a mais elegante cantora do jazz suave, o smooth jazz, com suas interpretações calmas e melodiosas. Mas há quem não lhe perdoe o maior comercialismo dos últimos trabalhos; e outros acusam-na de não respeitar nem interpretar o verdadeiro jazz. Casada com o lendário Elvis Costello, um ano depois de se terem conhecido, Elvis colocou Diana no cenário pop dos anos 2000 e a cantora atingiu o sucesso mundial. O certo é que a união com Elvis Costello, um compositor múltiplo, influenciou o processo criativo da pianista. Só depois de Costello, ela estreou como compositora. Suas apresentações são divinas, a banda que a acompanha executa solos fantásticos. Graças a essa habilidade incomum nos dias de hoje, a intérprete é até capaz de transformar um disco de canções natalinas em um trabalho gracioso.

Do álbum 'The Look of Love' (2001)

Bass – Christian McBride
Drums – Jeff Hamilton 
Guitar – Dori Caymmi 
Percussion – Paulinho Da Costa 

Diana Krall - S' Wonderful

Diana Krall & Russell Malone

Apresentação de Diana Krall no Montreal Jazz Festival em 1996. A música 'Gee Baby, Ain't I Good To You' faz parte do álbum 'All For You' dedicado a Nat King Cole. A voz rouca de Diana é fascinante e sua interação com o fenomenal guitarrista Russell Malone é quase telepática.

Diana Krall - piano e vocal
Russell Malone - guitarra
Paul Keller - baixo

Diana Krall - Gee Baby, Ain't I Good To You