domingo, 6 de agosto de 2017

Baden Powell

(Varre-Sai, Rio de Janeiro, 6 de agosto de 1937)


Sua mãe não entendia por que ele estava tocando uns ritmos estranhos, uns acordes horríveis. Baden já estava firmando sua personalidade como intérprete, criando acordes sofisticados. Ao mesmo tempo, ouvia outros estilos musicais e novos ritmos da moda, importados dos Estados Unidos. O jazz que Baden Powell mais prezava, com o bebop, o swing, o fox-trot eram os ritmos preferidos nas festas e bailes onde ele tocava. Nessa fase de adolescência, já se revelavam as diferentes facetas de sua personalidade musical e sua incrível versatilidade: o concertista que tocava Bach na igreja, o chorão que agora comandava as rodas de choro, o guitarrista de jazz dos bailes, o sambista nas batucadas nos morros onde vivia o seu lado malandro. Baden gostava desse ambiente marginal. Um dos lugares mais frequentados era o Hotel Plaza, um lugar aconchegante, onde as pessoas iam tomar um drinque, conversar e escutar jazz. E onde nasceu o ‘Ed Lincoln Trio’ com Baden Powell no violão. E o local tornou-se um ponto de encontro de futuros grandes músicos como Tom Jobim e João Gilberto. Baden Powell nunca pertenceu a nenhum movimento, nunca se limitou a um gênero. Continuou a percorrer todos os ritmos, inclusive da bossa nova, mas com um estilo infinitamente pessoal e original. Jamais se sentiu um músico bossa nova, tanto que nunca foi considerado como sendo um dos integrantes da bossa nova. Isso porque a principal característica de Baden Powell é ser Baden Powell, e ponto final. 

A interpretação da música 'Round About Midnight' de Thelonious Monk, feita por Baden Powell para o álbum 'Tristeza on Guitar' de 1966, foi levada para gravação num estúdio da televisão francesa em 1971. Em um filme de 32min nomeado Jazz Samba, Baden Powell, junto com outros músicos, toca um bom repertório, mas 'Round About Midnight' continua sendo o destaque.

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