sábado, 12 de agosto de 2017

Clara Nunes

(Paraopeba, Minas Gerais, 12 de agosto de 1942)


Nem Elis Regina, nem Maria Bethânia, nem Gal Costa. Foi Clara Nunes a primeira cantora a bater a marca de 100 mil discos vendidos, por muito tempo perseguida pelas gravadoras. Tal proeza se deveu em grande parte a 'Conto de Areia', samba com jeito de ponto de umbanda: é água no mar / é maré cheia...Cantora referencial do Brasil dos anos 1970, por conta de discos que foram além da cadência bonita do samba, Clara Nunes não nasceu no samba. Após quase dez anos dedicados a uma carreira sem curso definido, cantando boleros e canções românticas, flertando até com a Jovem Guarda, Clara descobriu os sambas de raiz. Mas Clara abraçou o samba com tanta verdade que se tornou sambista de fato para depois encontrar o maior filão de sua carreira, o sincretismo religioso e com forte influência das religiões afro-brasileiras.

Nos shows e nas capas dos discos, Clara costumava vestir branco e, quase sempre, mantinha os pés descalços, reforçando a imagem de umbandista, religião à qual de fato se converteria, ampliando a influência que os cânticos exerciam sobre sua música. Clara se casou com Paulo César Pinheiro, um dos mais importantes letristas da MPB, o que contribuiu para aproximá-la de canções com maior densidade literária, embora jamais tenha abdicado dos sambas de roda e de morro. Chico Buarque compôs 'Morena de Angola' especialmente para Clara. Apelidada de sabiá, Clara Nunes era uma sambista de perfil popular e de sucesso gigantesco, que, talvez por isso, nunca contou com a devida atenção dos mais 'elitizados' e, morta prematuramente, cada vez menos teve lembrada sua contribuição àquela coisa chamada MPB. Dona de discografia que se tornou antológica, Clara Nunes saiu precocemente de cena, aos 40 anos, mas o nome dessa imortal cantora permanece triunfal no altar das grandes. Salve Clara !

Do álbum 'Canto das Três Raças' (1976)

Clara Nunes - Basta um Dia (de Chico Buarque)

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